A audiometria é um dos exames mais comuns do PCMSO e também um dos que mais saem do prazo. A razão é simples: o calendário dela é diferente do dos demais exames. Quem controla tudo pela data do periódico acaba esquecendo o ritmo próprio da audiometria.
O que é e para que serve
A audiometria mede a capacidade de ouvir sons de diferentes frequências. No contexto ocupacional, o objetivo é acompanhar a audição de quem trabalha exposto a ruído e perceber cedo qualquer alteração. A repetição do exame ao longo do tempo permite comparar o resultado com o anterior, e é essa comparação que dá valor ao acompanhamento.
Quem faz
O exame é indicado para trabalhadores expostos a ruído em níveis que a NR-7, em seu Anexo II, considera para o controle auditivo. Quem define se uma função entra nesse grupo é o inventário de riscos do PGR e o médico responsável pelo PCMSO. Setores comuns são indústria, marcenaria, metalurgia, oficinas e áreas de máquinas.
O calendário em quatro momentos
| Momento | O que acontece |
|---|---|
| Admissão | Primeira audiometria, que serve de referência |
| Seis meses depois | Primeira audiometria de acompanhamento |
| Anualmente | Repetição a cada ano enquanto houver exposição |
| Outros momentos | Conforme o PCMSO, em desligamentos, mudança de função ou diante de alterações |
Esse ritmo está no Anexo II da NR-7. O erro típico é tratar o primeiro retorno como se fosse anual. O de seis meses existe para observar o início da exposição e pode revelar sensibilidade individual mais cedo.
Como o exame funciona
- O trabalhador responde perguntas sobre exposição, uso de protetor e histórico de saúde auditiva.
- A inspeção do ouvido é feita antes do teste.
- Em cabine adequada, ele ouve sons em frequências variadas e sinaliza quando percebe.
- O resultado vira um gráfico chamado audiograma, avaliado por profissional habilitado.
Preparo, disponibilidade e prazos de cada exame são informados no agendamento. Muitos exames exigem pedido médico quando for o caso.
Quando o resultado mostra alteração
O audiograma é comparado com os anteriores. Se houver alteração relevante, o médico avalia a relação com o trabalho, pode pedir investigação complementar e orientar medidas, como revisar o protetor auricular e o ambiente. Em muitos casos, o resultado também leva a reforçar o programa de conservação auditiva. A conclusão é sempre do médico, não do RH.
Audiometria e eSocial
Os exames realizados entram no evento S-2220. Se a audiometria foi feita fora do prazo ou sem registro correto, a informação enviada fica inconsistente. Mais uma razão para manter o calendário organizado.
Dicas para o RH
- Planilha própria da audiometriaRegistre data de admissão, data do exame de seis meses e as anuais de cada trabalhador exposto.
- Alinhe com o treinamento de EPIProtetor mal usado reduz o benefício. A página de treinamento de EPI trata do assunto.
- Revise quando o ambiente mudarUma máquina nova pode alterar o ruído e criar necessidade de exame para quem antes não precisava.
- Peça a medição quando houver dúvidaA avaliação de agentes físicos ajuda a conferir o nível de ruído.
Veja o serviço completo na página de audiometria ocupacional e, para outros exames, em exames complementares.
Por que o ritmo de seis meses existe
Muita gente estranha o exame logo após a admissão. A lógica é simples: a primeira audiometria registra o ponto de partida do trabalhador, e a segunda, feita meio ano depois, observa se a exposição inicial provocou algum efeito. Alguns trabalhadores são mais sensíveis ao ruído do que outros, e essa diferença só aparece com o acompanhamento. Depois que a situação estabiliza, o intervalo passa a ser anual.
Cuidados no dia do exame
Para que o resultado seja confiável, o trabalhador deve seguir as orientações dadas no agendamento sobre preparo. Informar à clínica se teve gripe, dor de ouvido ou uso de medicamentos recentes também ajuda o profissional a interpretar o exame. Ruído intenso fora do trabalho, como shows, festas e uso prolongado de fones em volume alto, pode influenciar o resultado, e o profissional pode perguntar sobre isso.
Quando o RH deve revisar o grupo de expostos
O grupo que faz audiometria não é fixo. Ele muda quando a empresa instala equipamento mais ruidoso, desloca pessoas para outro setor, contrata em funções novas ou, ao contrário, reduz o ruído com isolamento de máquinas. Uma vez por ano, vale pedir ao responsável pelo PCMSO que confirme a lista de funções que entram no controle auditivo e cruzar com os laudos de ruído mais recentes. Dessa forma o calendário reflete a situação real.
O que a empresa deve guardar
Cada audiometria gera um registro que precisa ficar no prontuário do trabalhador, sob responsabilidade do médico. A empresa guarda o ASO e controla as datas. Uma boa prática é manter, em uma pasta ou sistema, o calendário individual com as datas realizadas e as próximas, além dos laudos de ruído mais recentes. Isso facilita a resposta rápida a uma solicitação de fiscalização, de perícia ou do próprio trabalhador.