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PGR na prática: do inventário de riscos ao plano de ação

Em vez de decorar a norma, siga o caminho que o PGR percorre dentro da empresa: olhar, listar, avaliar, agir e acompanhar. Veja como cada etapa funciona.

Publicado em 13/10/2026 · 6 min de leitura

Muita gente imagina o PGR como um livro grosso que fica na gaveta. A ideia da NR-1 é o contrário: um processo vivo, em que a empresa olha o trabalho como ele é, descobre o que pode causar dano e decide o que fazer. O livro é só o registro. Este texto percorre esse caminho, etapa por etapa.

GRO e PGR: de onde vem cada sigla

A NR-1 trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO. O PGR, Programa de Gerenciamento de Riscos, é o instrumento em que o GRO é documentado. Em resumo, o GRO é o que a empresa faz e o PGR é onde ela registra. O PGR substituiu o antigo PPRA a partir de 3 de janeiro de 2022, e passou a olhar para um conjunto mais amplo de riscos.

Etapa 1: olhar o trabalho como ele é

Antes de preencher qualquer documento, é preciso conhecer as atividades: quem faz o quê, com que máquinas, produtos e jornada. A visita ao local e a conversa com os trabalhadores contam mais do que um formulário preenchido na mesa do RH. O que está escrito no cargo nem sempre é o que acontece no chão da empresa.

Etapa 2: identificar os perigos

O inventário lista as fontes de risco de cada função. A norma pede que sejam considerados:

  • FísicosRuído, calor, vibração, radiações.
  • QuímicosPoeiras, fumos, gases, produtos de limpeza e de processo.
  • BiológicosMicrorganismos e materiais de origem biológica.
  • ErgonômicosPostura, esforço, ritmo, mobiliário. Veja AEP e AET.
  • De acidentesMáquinas, altura, eletricidade, trânsito interno.

A NR-1 também inclui os fatores de riscos psicossociais no gerenciamento de riscos. O tema é tratado em outro artigo do blog.

Etapa 3: avaliar e classificar

Nem todo risco merece a mesma urgência. A empresa avalia a gravidade possível e a probabilidade de ocorrer, e com isso decide as prioridades. Alguns agentes exigem medição, como ruído ou calor, e aí entram as avaliações quantitativas.

Etapa 4: decidir o que fazer

O plano de ação diz o que será feito, por quem e até quando. A lógica é começar por eliminar o risco, depois reduzi-lo na fonte, em seguida organizar o trabalho e só por último contar com o equipamento de proteção individual. EPI é parte da solução, não a solução inteira.

Etapa 5: acompanhar

O PGR não termina na entrega. Há acompanhamento das medidas, registro do que foi feito e revisão quando algo muda. Uma máquina nova, um produto trocado ou um acidente são motivos para voltar ao inventário. A periodicidade de revisão segue o que a NR-1 vigente determina.

DocumentoO que registra
Inventário de riscosPerigos, riscos e a classificação de cada um
Plano de açãoMedidas de prevenção, responsáveis e prazos

Quem precisa ter PGR

Toda organização que tenha empregados deve gerenciar seus riscos. Micro e pequenas empresas de grau de risco 1 e 2 e o MEI podem, nas condições da NR-1, declarar que não possuem exposição a agentes físicos, químicos ou biológicos e ficar dispensadas da elaboração do documento. Quem exerce atividade rural segue o PGRTR, da NR-31.

A ponte com o PCMSO e o LTCAT

O inventário do PGR é a matéria-prima do PCMSO: a escolha dos exames parte dos riscos listados. Ele também sustenta o LTCAT e os dados que seguem ao eSocial. Se o PGR está incompleto, os demais documentos herdam o problema.

Sinais de alerta: riscos que não batem com a realidade da função, plano de ação sem responsável, documento que não muda há muito tempo apesar de a empresa ter mudado, e PGR e PCMSO que se contradizem.

Veja o serviço completo na página de PGR e o quadro geral em PGR e PCMSO.

Quem participa do PGR

Embora um profissional capacitado conduza a elaboração, o PGR não é um trabalho solitário. O ideal é envolver quem conhece a rotina: encarregados, operadores, o RH, quem cuida da manutenção. São eles que sabem de improvisos, de rotinas de risco que não estão em manual e de situações que só aparecem em turnos específicos. Uma conversa de dez minutos com quem opera a máquina costuma revelar mais do que uma hora de leitura de procedimento.

Os trabalhadores também têm um papel previsto na norma: informar situações de risco que identificarem e colaborar com as medidas de prevenção. Para isso funcionar, a empresa precisa criar canais simples e sem punição. Esse é um dos pontos em que a CIPA ajuda, quando existe.

Como começar se a empresa nunca teve nada

  1. Liste as funções e os setores, com o número de pessoas em cada um.
  2. Reúna o que já existe: laudos antigos, comunicações de acidente, registros de entrega de EPI.
  3. Faça uma visita guiada ao local com quem conduzirá o inventário.
  4. Discuta as prioridades e o que pode ser resolvido de imediato.
  5. Defina responsáveis e prazos do plano de ação e marque a primeira revisão.
Dúvidas

Perguntas sobre o PGR

PGR e PPRA são a mesma coisa?

Não. O PGR, da NR-1, substituiu o PPRA a partir de 3 de janeiro de 2022. Ele tem escopo mais amplo, incluindo riscos ergonômicos e de acidentes, e trabalha com inventário e plano de ação.

Posso usar o PGR de outra empresa como modelo?

Não é adequado. O inventário descreve as atividades, os ambientes e os riscos da sua empresa. Um documento copiado não reflete a realidade e não resiste a uma fiscalização.

Quem assina o PGR?

Profissional com capacitação para a tarefa, conforme exige a NR-1. A responsabilidade pelo gerenciamento de riscos, porém, é sempre da empresa.

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